Crianças obesas podem ter artérias de pessoas com 50 anos, diz estudo

Por prof. Wagner Silva Dantas

Crianças e adolescentes obesos podem apresentar vasos sanguíneos tão rígidos quanto os de uma pessoa de 40 ou 50 anos de idade, aumentando significativamente seus riscos de problemas cardiovasculares, segundo pesquisadores da Universidade de British Columbia, no Canadá. Em estudo com 63 jovens obesos de 13 anos de idade e 55 adultos de meia idade com peso normal, os especialistas descobriram que muitas dessas crianças já apresentam velocidade de fluxo sanguíneo anormal, indicando rigidez arterial.

 Apresentados  no Congresso Canadense de Cardiologia, os resultados indicaram que, apesar de os jovens obesos apresentarem níveis lipídicos e de colesterol normais, eles tinham fluxo sanguíneo anormal, indicando uma rigidez arterial parecida com a de adultos com idades entre 40 e 50 anos, além de pressão sanguínea sistólica acima do normal.

 ”Estamos surpresos em descobrir que essas crianças obesas já apresentam vasos sanguíneos enrijecidos”, destacou o pesquisador Kevin Harris. “A aorta normal tem qualidades elásticas que protegem o fluxo sanguíneo. Quando essa elasticidade é perdida, resulta em rigidez da aorta - um sinal de desenvolvimento de doença cardiovascular. E essa rigidez é associada a eventos cardiovasculares (como infarto e derrame) e morte prematura

Fonte: Site Boa Saúde





O exercício físico não é uma mera opção

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Por Prof. Wagner Silva Dantas

A hipótese que um estilo de vida sedentário potencializa uma prematura morbidade e mortalidade tem sido extensamente testada em numerosos estudos científicos. Alguns autores colocam a inatividade física como o fator antecedente da grande maioria das doenças crônicas (Lees , S. J. & Booth, F W. Physical inactivity is a disease. World Rev Nutr Diet. 2005;95:73-9.) Cerca de 90 milhões de americanos estão convivendo com alguma condição de doença crônica sendo que em 2005, os EUA gastaram dois trilhões em despesas médicas provenientes de doenças crônicas.  Em adicional ao aspecto econômico que as doenças crônicas acarretam, existe um fator humanístico relacionado à inatividade física, como a baixa qualidade de vida, diminuição da independência funcional, depressão, alteração do humor e diminuição da longevidade.

A doença cardiovascular (DAC) é a principal causa de morte entre os americanos. A incidência de DAC aumenta com os níveis elevados de LDL c e diminui com o aumento das concentrações de HDL c. Segundo uma meta-análise de 17 estudos os triglicérides (TG) é aceito como forte fator de risco independente para a DAC (Durstine J. L. and Thompson P. D. Exercise in the treatment of lipid disorders. Cardiol Clin 19: 471-488, 2001) e um aumento de 88 mg/dL do TG foi associado com um aumento de 14% para DAC nos homens e 37% nas mulheres. Fatores como idade, distribuição da gordura corporal, dieta, sedentarismo e tabagismo são fatores que modificam o metabolismo e composição das lipoproteínas.

Há um consenso que o exercício físico diminui o risco para a DAC e parte dessa redução do risco cardiovascular deve-se ao impacto positivo do exercício físico sobre os lípides plasmáticos e metabolismo de lipoproteínas. Programas de reabilitação cardiometabólica que focam a redução da ingestão de gorduras e aumento da ingestão de carboidratos concomitante ao aumento da pratica de exercícios físicos promovem melhora significativa no perfil das lipoproteínas e lípides plasmáticos com conseqüente redução do risco cardiovascular. Estudos recentes mostram que uma única sessão de exercício físico pode alterar positivamente o perfil das lipoproteínas e lípides plasmáticos. Mais ainda, esses efeitos são diferentes comparando-se indivíduos sedentários e treinados e podem permanecer por até três dias após uma única sessão de exercício físico. Alem disso, exercícios intermitentes ou sessões curtas de exercício físico em um único dia são conhecidas por mudanças positivas nos lípides plasmáticos e níveis de lipoproteínas. Crouse et al. (J Appl Physiol. 1997 Dec; 83(6):2019-28)e Visich et al. (Eur J Appl Physiol Occup Physiol. 1996;72(3):242-48) mostraram que em um indivíduos sedentários mudanças nos lipídios e lipoproteínas podem ocorrer após uma única sessão de exercício físico quando esse gerar um gasto calórico de pelo menos 350 kcal. Por outro lado, em outro estudo demonstrou-se  que uma única sessão de exercício físico com um dispêndio energético de pelo menos 1100 kcal foi necessária para melhorar os níveis de HDL-c em indivíduos treinados. Um grande estudo conhecido como STRRIDE (Studies of a Targeted Risk Reduction Intervention Through Defined Exercise) demonstrou que o volume de exercício físico comparado com a intensidade do exercício físico é preferencialmente considerado para mudanças positivas no lípides plasmáticos e concentrações de lipoproteínas. Os mais importantes achados desse estudo são relativos às mudanças dos lípides plasmáticos e lipoproteínas durante um período de 15 dias de interrupção do exercício físico:

- o grupo TF melhorou o perfil do HDL (concentração de HDL c, largura do HDL e tamanho do HDL). Esta melhora do perfil do HDL c foi mantida pelos 15 dias de interrupção do exercício físico. Esses achados são importantes porque o HDL possui varias propriedades antiaterogênicas que são postuladas de efeitos anti-inflamatorios.

- O TG total e TG associado ao VLDL foram reduzidos nos grupos TF. Entretanto, esses níveis manteram-se baixos após 15 dias de destreinamento no grupo que trabalhou baixo volume e intensidade moderada.

Portanto, um dispêndio diário de calorias através do exercício físico parece produzir alterações no metabolismo de lípides. A intervenção primaria no tratamento da hiperlipidemia deve ser a farmacológica. Contudo, a modificação dietética, perda de peso e o exercício físico são peças fundamentais no tratamento desses pacientes. O papel do profissional de Educação Física é de extrema importância nessa população tendo em vista o conhecimento das particularidades da prescrição, organização, sistematização e controle do exercício físico para essa população.





Estudo conclui que perder peso ajuda a melhorar a memória

Por Prof. Wagner Silva Dantas

Além dos benefícios já conhecidos, perder peso também ajuda a melhorar a memória. É o que sugere um estudo realizado pelo serviço de geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.  Foram avaliados 22 idosos com idade média de 65 anos e com índice de massa corporal maior do que 30 -que já indica obesidade.No início da pesquisa, eles realizaram testes específicos para avaliar diferentes domínios da memória, como uso das palavras, capacidade de seguir orientações para realizar tarefas e memória de curta duração (como lembrar-se de palavras e figuras vistas pouco tempo antes).

Durante seis meses, esses idosos tiveram acompanhamento nutricional e realizaram atividades físicas. Depois desse período, repetiram os testes de memória. Aqueles que perderam mais peso (ao menos 5% do inicial) apresentaram melhoras mais significativas no resultado das provas.  A perda de massa gorda pode reduzir a resistência à insulina, quadro frequentemente associado à obesidade que leva ao diabetes.

“A resistência à insulina também pode atingir os neurônios. Sabe-se que esse hormônio é um facilitador do funcionamento das células cerebrais”, explica o neurologista Ricardo Nitrini, da Faculdade de Medicina da USP. Para a geriatra Nídia Horie, uma das pesquisadoras, outra explicação é a redução da resistência à ação da leptina que ocorre com a perda de peso. Obesos apresentam resistência a esse hormônio com frequência. “A leptina, além de ajudar a regular o apetite, facilita processos no cérebro relacionados à memória e à aprendizagem”, afirma Horie.

Fonte: Folha.com Equilibrio





Sedentarismo

Por Prof. Wagner Silva Dantas

Vídeo interessante sobre os comentários do Dr. Drauzio Varella sobre os aspectos que envolvem o sedentarismo

 

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Homens obesos têm menos desejo sexual e mais doenças

Por Prof. Wagner Silva Dantas

A relação entre obesidade e disfunção erétil, que já havia sido detectada antes, foi confirmada. O estudo mostrou que o problema é 2,5 vezes mais frequente entre homens acima do peso ou obesos. Os dados são da primeira grande pesquisa a investigar o impacto do peso extra na atividade e na saúde sexual. Para o estudo, publicado no “British Medical Journal”, foram ouvidos mais de 12 mil moradores da França, com idades entre 18 e 69 anos.Os entrevistados foram divididos em três grupos: com peso normal (índice de massa corporal entre 18,5 e 25), sobrepeso (entre 25 e 30) e obesos (acima de 30). Os resultados mostraram também uma relação inversa entre peso e número de parceiros, nos dois gêneros. Entre as obesas, 17,8% acharam seu par pela internet; para os homens acima do peso, a taxa foi de 14%. Outro dado preocupante diz respeito às relações sexuais sem proteção. Entre obesos com 18 a 29 anos, foi observada uma taxa de doenças transmissíveis por sexo cinco vezes maior, embora eles tenham tido menos parceiras que os de peso normal.

O desejo também está em baixa nesse grupo: duas vezes mais obesos relataram desinteresse. Entre os homens com alguns quilos a mais, a queixa foi 25% maior do que entre os de peso normal.

LIMITAÇÕES

Embora revele aspectos comportamentais importantes, o estudo tem limitações. Entre os participantes, os obesos formam um grupo menor, mais velho, com menos estudo e mais risco de doenças em comparação aos demais.

Fonte: Folha. com Equilibrio





Mulheres obesas engravidam mais sem desejar

Por Prof. Wagner Silva Dantas

Mulheres obesas usam menos métodos contraceptivos, dão menor importância à sexualidade e usam mais a internet que as outras para encontrar seus parceiros. Os dados são da primeira grande pesquisa a investigar o impacto do peso extra na atividade e na saúde sexual, em especial das mulheres.

Para o estudo, publicado no “British Medical Journal”, foram ouvidos mais de 12 mil moradores da França, com idades entre 18 e 69 anos. Os entrevistados foram divididos em três grupos: com peso normal (índice de massa corporal entre 18,5 e 25), sobrepeso (entre 25 e 30) e obesos (acima de 30).

Os resultados mostraram também uma relação inversa entre peso e número de parceiros, nos dois gêneros. Entre as obesas, 17,8% acharam seu par pela internet; para os homens acima do peso, a taxa foi de 14%. “Os achados apontam para uma baixa autoestima e falta de cuidado. Obesos se previnem menos (de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis), talvez pela dificuldade de impor isso ao parceiro, com medo de ser rejeitado”, diz Claudia Cozer, diretora da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Entre as obesas, a taxa de gravidez não planejada chega a ser quatro vezes mais alta. Segundo a médica, muitas acham que não vão engravidar porque têm ciclos menstruais irregulares e passam meses sem menstruar.

“Elas não mantêm regularmente um método contraceptivo por desinformação, medo de tomar pílula e engordar mais ou pequeno número de parceiros”, afirma.

CONVERSA DE MÉDICO

A especialista em medicina psicossexual Sandy Goldbeck-Wood, em um artigo publicado junto com a pesquisa, afirma que é complicado para os médicos discutir assuntos relacionados a sexo e sobrepeso com os pacientes e defende que eles se preparem para isso.

Para Nilson Roberto de Melo, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, boa parte dos médicos evita o assunto se não é questionada -um problema para as menos escolarizadas, que desconhecem as consequências negativas da obesidade. “Quando a mulher está acima do peso, deve ser avisada de que pode ter ciclos irregulares”, diz.

Mulheres obesas usam menos métodos contraceptivos, dão menor importância à sexualidade e usam mais a internet que as outras para encontrar seus parceiros.

Os dados são da primeira grande pesquisa a investigar o impacto do peso extra na atividade e na saúde sexual, em especial das mulheres. Para o estudo, publicado no “British Medical Journal”, foram ouvidos mais de 12 mil moradores da França, com idades entre 18 e 69 anos. Os entrevistados foram divididos em três grupos: com peso normal (índice de massa corporal entre 18,5 e 25), sobrepeso (entre 25 e 30) e obesos (acima de 30). Os resultados mostraram também uma relação inversa entre peso e número de parceiros, nos dois gêneros. Entre as obesas, 17,8% acharam seu par pela internet; para os homens acima do peso, a taxa foi de 14%.

“Os achados apontam para uma baixa autoestima e falta de cuidado. Obesos se previnem menos (de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis), talvez pela dificuldade de impor isso ao parceiro, com medo de ser rejeitado”, diz Claudia Cozer, diretora da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

Entre as obesas, a taxa de gravidez não planejada chega a ser quatro vezes mais alta. Segundo a médica, muitas acham que não vão engravidar porque têm ciclos menstruais irregulares e passam meses sem menstruar. “Elas não mantêm regularmente um método contraceptivo por desinformação, medo de tomar pílula e engordar mais ou pequeno número de parceiros”, afirma.

Fonte: Folha.com Equilibrio





Corra para largar o cigarro

Texto escrito pelo prof. Wagner Silva Dantas para o site www.ig.com.br

Histórias de aspirantes a maratonistas que fizeram da modalidade um tratamento alternativo para deixar o vício

Foram mais de 20 anos e incontáveis cigarros fumados ao longo desse tempo. O currículo de um fumante experiente parece impossível de ser atualizado com doses diárias de saúde. Feliz engano.

Paralelo ao uso de adesivos de nicotina, tratamentos terapêuticos ou medicamentos mais agressivos, a corrida começa a ganhar o coração - e os pulmões - de quem deseja parar de fumar, ou manter-se na condição de ex-dependente do tabaco.

Em 2004, a empresa onde o contador A.C, 35 anos, trabalha, em São Paulo, resolveu patrocinar uma corrida de revezamento da capital paulista. Fumante há mais de duas décadas, a iniciativa corporativa despertou o interesse na modalidade, mas sem grandes pretensões. A.C montou um grupo de corredores e participou do evento.

A brincadeira foi interessante. O resultado, embora pífio, serviu de estímulo para querer mais. Em pouco tempo, o contador estava investindo boa parte das suas manhãs em treinos nos principais parques públicos da cidade. O cigarro continuou presente, mas, conforme o círculo de amigos saudáveis crescia, as tragadas diárias diminuíam.

Apesar do potencial razoável que tinha, mesmo insistindo em manter o vício, A.C começou a exigir metas mais ambiciosas do esporte. “Queria melhorar. Comecei a sentir que o cigarro impedia um avanço maior no tempo, em colocações nas competições.”

Foi em uma viagem ao Rio de Janeiro, para participar de uma meia maratona na cidade, acompanhado da mulher, grávida de três meses, que A.C definitivamente deixou de gastar com quase dois maços diários de cigarro e passou a investir no esporte.

“A corrida é um ambiente totalmente não fumante. Fui rendido. O grupo de corredores e os treinos adiavam um cigarro. Nunca levei um maço, respeitava o ambiente e os demais presentes. Sentia até vergonha. Quando o desafio passa a te dar mais prazer do que o cigarro, você coloca no papel e vê que o dinheiro gasto com maços poderia ser canalizado para custear as inscrições em competições.”

Hoje, há três anos sem fumar, o contador equilibra a profissão, as maratonas e os cuidados com o filho de dois anos - o motivo pelo qual A.C não quis revelar seu nome nesta reportagem. “Além de ser um estímulo diário para largar, o fôlego exigido, o condicionamento para correr, competir, fazem o ex-fumante manter-se nessa condição, sem recaídas.”

A sedução que a corrida parece exercer nos fumantes ou possíveis ex-fumantes começa a ganhar corpo (e rosto) na internet. O número de blogueiros corredores é vasto, cada qual com seu motivo de conversão. O publicitário Augusto Verrengia escreve diariamente em sua página pessoal ”Vamos Correndo”.

 

O projeto nasceu como uma espécie de terapia virtual. No começo, ele revela que os textos eram basicamente sobre o dia a dia sem cigarro e o papel ‘reformador’ da corrida.

Com o tempo, o número de histórias similares e o interesse das pessoas na modalidade fez com que a ferramenta ganhasse uma função mais panfletária do esporte.

A mudança de comportamento do publicitário foi despertada em 2008, por uma propaganda na televisão de uma corrida tradicional, que ocorre todos os anos em Campinas, cidade onde mora.

“Estava disposto a parar, queria algo que ajudasse a superar a falta que eu sabia que o cigarro iria fazer. A corrida foi a meta pra conseguir me manter longe do vício e investir na minha saúde.”

Exercícios antitabagistas

O papel antitabagista do esporte é antigo e cientificamente comprovado. Silvia Cury, psicóloga do Hospital do Coração (HCor), afirma que qualquer atividade física serve de estímulo aos fumantes.

“O exercício libera um tipo de hormônio, a endorfina, responsável por ativar a circulação, dar mais disposição, auxiliar no funcionamento intestinal e baixar a ansiedade, comum aos fumantes. Os benefícios são numerosos.”

A especialista revela que 80% dos pacientes que procuram tratamento no HCor para abandonar o vício, sentem que a atividade ajuda a diminuir a vontade de fumar. Tal potencial, porém, não é sentido da mesma maneira por atletas fumantes.

“Eles não percebem essa diferença quando param de fumar, porque já estão acostumados a trabalhar com corpo. Sentem apenas uma falta de fôlego.”

Segundo Wagner Silva Dantas, educador físco do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares (NOTA) do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, na literatura médica, há estudos recentes analisando o comportamento do cérebro de pacientes mulheres, fumantes, que foram submetidas à apenas uma sessão de ginástica aeróbia. O resultado das ressonâncias magnéticas, feitas antes e após o único treino, mostra que o exercício supre o efeito provocado pela nicotina, gera saciedade e reduz o desejo de acender um cigarro.

O professor defende que a corrida seja incorporada às academias como uma alternativa antitabagista. Na visão de Dantas, aproveitar as experiências individuais, que ganham força no coletivo, é extremamente positivo do ponto de vista clínico. A corrida, defende ele, tem quatro fatores interessantes e atraentes.

“O acesso, uma vez que pode ser feito em qualquer área devidamente segura, o fôlego exigido pela modalidade, a possibilidade de realizar a atividade com amigos e o fator desafiador. Tudo isso forma um contexto incompatível com o tabaco.”

O que vem primeiro?

Fumo menos porque corro mais ou corro mais porque fumo menos? A resposta para tal questão não é pontual e objetiva. Embora a recomendação dos médicos não contemple nenhuma modalidade especificamente, abandonar o sedentarismo e o cigarro, para os corredores, parece uma relação de causa e conseqüência, defende Marcius Duarte, educador físico e coordenador da assessoria esportiva carioca Runners Club.

“É preciso fôlego, dedicação, condicionamento. O corredor que fuma perde, literalmente. Fica pra trás no próprio relógio, no tempo que ele pretende superar. Aos poucos, os alunos se gostam mais, se sentem desafiados e o cigarro passa a ser um empecilho. É semelhante aos benefícios de uma dieta.”

 

Embora o foco da assessoria não seja arrebatar os candidatos a ex-fumantes, esse nicho representa 10% do perfil de alunos que a empresa atende, em dois postos localizados na zona sul do Rio de Janeiro.

“A procura por pessoas que querem parar de fumar, de fato, existe. Talvez pelo perfil motivador, desafiador. Em pouco tempo os novos corredores já querem participar de maratonas, corridas.”

A isca da modalidade, entretanto, pode ser consumida por todos, mas não a todo e qualquer momento, revela Duarte. O trabalho exige conhecimento do histórico de doenças familiares, treinos graduais - intercalando caminhada e corrida inicialmente - para depois investir em competições. O professor comenta que já treinou uma aluna, ex-fumante, com enfisema pulmonar, que, para muitos médicos, não teria nunca condições de correr. O trabalho, nesses casos, é ainda mais específico e cuidadoso, aponta.

“É preciso preparo físico, atenção redobrada para evitar lesões ou comprometimentos. Não podemos permitir que os alunos descambem para o exagero, a overdose de competir em eventos seguidos. A orientação, o acompanhamento é fundamental para que a atividade tenha critérios e seja coerente com o perfil e a capacidade individual de cada um.”





Cadeirantes: atividades físicas e emagrecimento

Texto escrito pelo Prof. Wagner Silva Dantas para o site Idmed do site www.uol.com.br

 

Cadeirantes têm maior risco de ficarem obesos?

Sim, os indivíduos cadeirantes estão mais propensos ao desenvolvimento da obesidade. A obesidade é uma doença complexa e multifatorial que envolve vários outros fatores, como problemas endocrinológicos, distúrbios genéticos, fatores ambientais (ex.: sedentarismo) e comportamentais. Um equívoco frequente é a justificativa de que a principal causa da obesidade é a ingestão alimentar em excesso. Na verdade, a maioria das evidências sugere que o desequilíbrio energético decorrente do consumo excessivo de calorias (especialmente uma dieta rica em gordura e açúcar refinado), um estilo de vida sedentário ou a combinação dos dois fatores mencionados contribuiriam enfaticamente para o desenvolvimento da obesidade. Entretanto, a principal diferença entre a identificação, definição e classificação da obesidade e do excesso de peso é a avaliação da gordura corporal. Além da porcentagem de gordura corporal, fatores a considerar na determinação do grau em que a obesidade prejudica a saúde são a localização e distribuição dos depósitos de gordura corporal.

Partindo do princípio de que o indivíduo acometido por uma lesão medular está mais propício ao sedentarismo, haveria uma contribuição potencial ao desenvolvimento da obesidade. Somado a esse fator, a distribuição da gordura corporal no indivíduo acometido pela lesão medular é caracterizada pela localização centralizada da gordura, que está altamente correlacionada com o risco cardiovascular.

Outros fatores ligados à característica da lesão medular contribuirão para um maior risco de obesidade nessa população. A disfunção autonômica e somática encontrada na lesão medular pode também afetar a função metabólica e hormonal, incluindo uma resposta do sistema nervoso simpático e do eixo glândula adrenal-glândula hipófise, resultando em ritmos circadianos prejudicados e uma má resposta na regulação dos hormônios glicocorticoides. Intolerância à glicose é um achado frequente nos pacientes cadeirantes e é muitas vezes acompanhada por hiperinsulinemia compensatória. Alguns autores colocam que alterações na função da insulina podem ser um mecanismo fundamental na etiologia e manutenção da obesidade. Embora a função tireoidiana possa estar agudamente alterada na lesão medular, testes da função tireoidiana são geralmente normais em adultos cadeirantes. Inversamente, os níveis de testosterona total e testosterona livre em homens com lesão medular são muitas vezes reduzidos, enquanto a liberação do hormônio de crescimento está atenuada e cronicamente deprimida.

 

Cadeirantes que conseguem andar, mas que não têm tantas forças nas pernas: como eles podem emagrecer?

A questão do emagrecimento não parece ter correlação com o ergômetro a ser escolhido, muito embora haja uma tendência maior a um gasto calórico significativo quanto maior o número de grupos musculares envolvidos durante o exercício físico. Entretanto, a relação gasto calórico e exercício físico depende de outras variáveis, como dieta, volume corporal, gênero e condição clínica, para que possa ser bem instruída e individualizada. Um recurso muito utilizado para esses pacientes que conseguem andar, mas não têm força suficiente para a manutenção do ortostatismo, é um aparelho chamado Unweighting System (recurso que permite a redução da descarga do peso corporal durante a marcha), que traz bons resultados em termos de perda de peso para os pacientes que utilizam essa tecnologia. Aliado a isso, a utilização do cicloergômetro de braço, somada a exercícios de força para os membros superiores, tende a gerar um gasto calórico significativo nos pacientes que querem emagrecer.

 

E quanto a paraplégicos? Como emagrecer?

Para esses pacientes, a dieta alimentar associada a um volume de exercícios físicos adequados e suficientes para o desequilíbrio da balança energética pode apresentar resultados positivos em termos de redução do peso corporal. Entretanto, é fundamental que o paciente paraplégico que apresenta o objetivo de perda de peso procure um nutricionista e um médico para uma orientação adequada e individualizada, a fim de maximizarem-se os objetivos e minimizarem-se os riscos clínicos envolvidos em uma restrição calórica sem orientação de um profissional especializado.

 

Fisioterapia ajuda a emagrecer?

Qualquer situação que tire o indivíduo da inércia pode resultar em um gasto calórico. A fisioterapia é altamente indicada para os pacientes acometidos por lesão medular em qualquer nível de comprometimento clínico. Entretanto, creio que a intensidade e o volume de exercícios físicos utilizados durante a sessão fisioterápica não são suficientes para gerar-se um desequilíbrio energético negativo para a promoção do emagrecimento. Cabe ressaltar que creio nem ser esse o objetivo primário do trabalho fisioterápico nos pacientes com lesão medular.

 

E tetraplégicos, para os quais o exercício ativo é impossível? Como é possível perder peso?

A dieta alimentar é o recurso mais indicado nesses pacientes. O exercício passivo não gerará um gasto calórico significativo para um desequilíbrio da balança energética pela ausência de contração muscular voluntária.

 

Cadeirantes podem ter algum risco de saúde por não se movimentarem com mais frequência? Há alguma alternativa que substitui o exercício ativo?

O sedentarismo é um fator independente para o risco cardiovascular para ambos os sexos e qualquer situação clínica vigente. A literatura médica não relata nenhuma outra forma de obtenção dos benefícios gerados pelo exercício físico através de alternativas terapêuticas. Entretanto, é altamente indicada a procura de um médico para uma avaliação criteriosa pré-exercício.

 

Que atividades físicas são recomendadas para cadeirantes?

O treinamento físico pode proporcionar uma variedade de benefícios relacionados à saúde de um indivíduo com lesão medular. As seguintes recomendações devem ser consideradas no desenvolvimento de um programa de treinamento cardiopulmonar, que podem incluir o cicloergômetro de braço, propulsão de cadeira de rodas em esteira ou roletes. Natação, esportes vigorosos, como basquete de cadeira de rodas, corridas, ciclismo com os braços, podem ser associados ao FES (estimulação elétrica funcional) e cicloergômetro de pernas ou cicloergômetro de braços.

Para prevenir a síndrome do “overuse” deve-se variar a estruturação, o grupo muscular e a intensidade dos exercícios para os membros superiores, lembrando da importância do fortalecimento dos músculos da parte superior das costas e posterior do ombro, especialmente rotadores externos dos ombros e alongamentos para os músculos anteriores do ombro e peitoral maior.

Além disso, é fundamental a escolha do local adequado para a prática de exercícios físicos pelo profissional de Educação Física, visto a necessidade do controle da temperatura e umidade para os indivíduos com lesão medular.

 

Por não ter sensibilidade em determinadas partes do corpo, como o cadeirante vai conhecer seu limite para atividades físicas? É perigoso o cadeirante sofrer luxações e torções sem que perceba?

Luxações e torções não são lesões musculoesqueléticas características nesse tipo de situação clínica nos indivíduos engajados em programas de exercícios físicos. Para os atletas cadeirantes de esportes de contato físico, há uma possibilidade maior desse tipo de lesão mencionada (luxação e torção) pela ocorrência frequente do trauma esportivo.

Relacionado aos reconhecimentos dos limites para o exercício físico, variáveis como pressão arterial, frequência cardíaca, duplo produto (medição estimativa de esforço cardíaco e de consumo de oxigênio pelo miocárdio), temperatura e percepção subjetiva do esforço são utilizadas para a identificação da sobrecarga fisiológica durante o exercício físico. Entretanto, é papel do profissional de Educação Física identificar as respostas fisiológicas e patológicas para o exercício físico nos indivíduos cadeirantes, bem como assegurar a relação custo-benefício, a especificidade, sobrecarga, progressão e regularidade para o exercício físico eficaz a essa população.

 

 

Prof. Wagner Silva Dantas possui larga experiência em reabilitação cardiovascular e fisiologia do exercício clínico, é Coordenador do Programa FITCOR® de Exercício Físico aplicado à Reabilitação Cardiovascular e Grupos Especiais no Centro de Reabilitação do Hospital Sírio Libanês e Coordenador Técnico da Certificação Mais Vida ®. Graduado em Educação Física pela UNIFMU, Aperfeiçoamento em Exercício Físico aplicado à Reabilitação Cardiovascular pela USP e Aperfeiçoamento em Clinical Exercise Physiology pela Bond University - Austrália. CREF 041542-G/SP





Meeting de Treinamento de Corrida de Rua

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Certificação em Prescrição de Exercícios Personalizados para Grupos Especiais

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