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Orientações para o Exercício Físico

exercicio_fisicoProf. Wagner Silva Dantas

Prof. Dr. Claúdio Gil Soares de Araujo comenta princípios fundamentais para o exercício físico com finalidade clínica.

Caminhando, correndo, pedalando, patinando….exercitando-se. Orientações da medicina do exercício e do esporte

Claudio Gil Soares de Araújo (Diretor-médico da Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex); coordenador do Curso de Especialização em Medicina do Exercício e do Esporte da Universidade Estácio de Sá - Unesa)

Exercitar-se regularmente é um investimento para uma vida saudável. Para começar um programa de melhoria de condição física, um médico, especialista em exercício físico e esporte, deverá lhe examinar e analisar os resultados dos seus exames, avaliando as suas opções de local e tipo de exercícios e prescrevendo a sua dose diária ou semanal de atividade física. Ao iniciar o programa, estabeleça metas realistas e gradativas de progressão para dose, freqüência e intensidade dos exercícios. Sua hidratação, roupas e calçados deverão ser apropriados ao exercício. O princípio do treinamento é difícil, porém os benefícios fisiológicos começam a ocorrer já nas primeiras horas após a primeira sessão de exercício. Se o médico pedir um teste de exercício (também conhecido como teste ergométrico), é preferível submeter-se ao teste cardiopulmonar de exercício, que mede a condição aeróbica (ao invés de estimar) e possibilita identificar a faixa de freqüência cardíaca mais adequada à sua atividade.

Não adianta muito fazer exercícios algumas semanas ou meses e parar. A regularidade do exercício deve fazer parte de sua vida, inclusive nas férias. Coloque o exercício físico como uma das suas prioridades. Busque apoio na família e nos amigos. Boa e saudável caminhada, corrida, pedalada… patinada!

Importante saber

  • A respiração durante os exercícios físicos deve ser natural, utilizando-se mais a boca para que o ar inspirado ou expirado encontre menos resistência ao transportar o oxigênio necessário à atividade.
  • Os cientistas advertem: má condição aeróbica é mais prejudicial à saúde do que ser hipertenso ou ter colesterol elevado.
  • A escolha do calçado desportivo é fundamental, dependendo do peso, do tipo de pé, da pisada e da modalidade esportiva.
  • A intensidade do exercício pode ser monitorada pela freqüência cardíaca (FC).
  • A FC de exercício deve ser individualizada, idealmente com base nos resultados de um teste cardiopulmonar de exercício, evitando-se o uso de equações baseadas em idade.

E não esqueça: exercício é como remédio, tem que ser na dose certa.





Hipotireoidismo

Por Wagner Silva Dantas

Texto escrito pelo Dr Cristiano Barcellos sobre detalhes importantes relacionado ao Hipotireoidismo

 O hipotireoidismo é uma das doenças endocrinológicas mais frequentes. Confira importantes informações sobre a doença publicadas no site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

  

10 Coisas que Você Precisa Saber sobre Hipotireoidismo

 

O hipotireoidismo é uma disfunção na tireóide (glândula que regula importantes órgãos do organismo), que se caracteriza pela queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). É mais comum em mulheres, mas pode acometer qualquer pessoa, independente de gênero ou idade, até mesmo recém-nascidos - o chamado hipotireoidismo congênito. Confira, abaixo, as 10 coisas que você precisa saber sobre hipotireoidismo:

1. Em recém-nascidos, o hipotireoidismo pode ser diagnosticado através da triagem neonatal, pelo “Teste do Pezinho”.

2. O Teste do Pezinho deve ser feito, preferencialmente, entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê. Em caso de resposta positiva ao hipotireoidismo congênito, o tratamento precisa ser iniciado imediatamente, sob rigoroso controle médico, para evitar suas consequências, entre elas o retardo mental. Assim, o bebê poderá ficar curado e ter uma vida normal.

3. Cerca de um a cada 4 mil recém-nascidos possuem hipotireoidismo congênito.

4. Em adultos, na maioria das vezes, o hipotireoidismo é causado por uma inflamação denominada Tireoidite de Hashimoto.

5. O tratamento do hipotireoidismo é feito com o uso diário de levotiroxina, na quantidade prescrita pelo médico. E os comprimidos são em microgramas, variando de 25 a 200, e não em miligramas como a maioria dos medicamentos. Por isso, a levotiroxina não
deve ser feita por manipulação, pois a chance de erro é grande.

6. Para reproduzir o funcionamento normal da tireoide, a levotiroxina deve ser tomada todos os dias, em jejum (no mínimo meia hora antes do café da manhã), para que a ingestão de alimentos não diminua a sua absorção pelo intestino.

7. Se estiver usando a medicação regularmente, e dessa forma mantendo os níveis de TSH dentro dos valores normais, quem tem hipotireoidismo pode levar uma vida saudável, feliz e completamente normal.

8. Se o hipotireoidismo não for corretamente tratado, pode acarretar redução da performance física e mental do adulto, além de elevar os níveis de colesterol, que aumentam as chances de problemas cardíacos.

9. Depressão, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso e aumento de colesterol no sangue estão entre os sintomas do hipotieroidismo.

10. Não se deve confundir hipotireoidismo com hipertireoidismo, pois as disfunções são opostas: enquanto no “hipo” existe diminuição da produção de hormônios; no “hiper”, há o aumento.





Sibutramina

Por Wagner Silva Dantas

Texto escrito pelo Dr. Cristiano Barcellos sobre as questões envolvidas na proibição da Sibutramina usada para o tratamento da obesidade. Visite o site http://www.cristianobarcellos.com.br/ . Informações médicas claras, coesas e objetivas. Excelente site.

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A ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) juntamente com a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) enviou à Anvisa novo parecer sobre a sibutramina com o objetivo de reforçar o posicionamento dos seus especialistas sobre a substância.

No último dia 15 de setembro, o comitê da Food and Drug Administration (FDA) esteve reunido para decidir sobre ações regulatórias a respeito da sibutramina, baseado nos resultados finais do polêmico estudo SCOUT, publicados na primeira semana do mês no New England Journal of Medicine. Leia os resultados do estudo SCOUT, cujo link é: http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa1003114 .

Em reunião estabelecida pela FDA, os consultores tiveram um empate na votação, sendo que, oito representantes optaram pela retirada dos medicamentos das farmácias e oito restantes pela manutenção da substância. Outros dois consultores votaram pela advertência somada a um monitoramento maior dos pacientes. Nos Estados Unidos a sibutramina tem um custo de 700% maior para os pacientes em comparação com o Brasil, e a experiência com a utilização é bem menor que em nosso país.

Alguns dias antes da reunião do comitê, durante o 29° Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM), no dia 5 de setembro DE 2010, o endocrinologista Walmir Coutinho - um dos oito pesquisadores que dirigiram o SCOUT a nível mundial - havia apresentado os resultados pela primeira vez, no Brasil.

Ao analisar os resultados de mais de cem estudos sobre a substância, com mais de vinte mil pacientes e os índices de farmacovigilância disponíveis, a ABESO e a SBEM consideram o uso da sibutramina no Brasil da seguinte forma:

* A relação custo/benefício é favorável ao uso da sibutramina;

* A disponibilização no país é necessária por ser o único medicamento antiobesidade de ação central para uso de longo prazo aprovado no Brasil. Vale lembrar que o medicamento já teve sua patente expirada e apresentou o custo reduzido em cerca de 80%;

* É oportuna a contra-indicação para indivíduos com doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial não controlada, arritmias e problemas cardiovasculares graves;

* São necessárias as ações de educação médica continuada voltada para o tratamento dos médicos prescritores;

* É inadequada a inclusão da sibutramina na lista B2 de medicamentos, haja vista, ao contrário dos demais medicamentos nela listados, não há evidências de potencial de dependência com o uso da sibutramina. O controle de prescrição pode ser realizado por meio do receituário carbonado, sendo que a maioria das farmácias já está cadastrada pela ANVISA, fato que foi divulgado pelo órgão recentemente.





Exercícios físicos esporádicos fazem mal para o coração

Por Prof. Wagner Silva Dantas

Cientistas dizem ter comprovado que as pessoas sedentárias devem evitar exercícios físicos vigorosos e repentinos.Segundos pesquisadores da Universidade de Essex, na Grã-Bretanha, atividades físicas não-freqüentes representam um sério risco de ataque cardíaco já que elas “forçam” o coração e aumentam o período no qual problemas podem ocorrer.No estudo, apresentado durante uma conferência na Universidade de Cambridge, foram comparados diferentes tempos de recuperação de voluntários após exercícios de moderada e alta intensidade.”Após os exercícios de alta intensidade, os batimentos cardíacos (dos sedentários) permaneceram significativamente mais altos do que o normal por até 30 minutos. Na verdade, até uma hora depois dos exercícios os batimentos cardíacos não tinham voltado completamente ao normal”, disse a médica Valerie Gladwell.

Moderação:

Os batimentos cardíacos dos voluntários que praticaram atividades físicas mais moderadas retornaram ao normal dentro de 15 minutos. “Quanto mais rápido o coração se recupera, menor o período de tempo em que os problemas cardíacos acontecem”, afirma Valerie. De acordo com os pesquisadores, exercícios físicos são um importante tratamento para pessoas que tiveram problemas cardíacos, como ataque do coração, mas devem ser cuidadosamente controlados.No entanto, não são apenas as pessoas que já tiveram problemas cardíacos que devem tomar cuidado, alertam os cientistas. Aqueles que não estão acostumados a fazer atividades físicas e estão em um clima mais frio têm mais chance de ter problemas no coração.Para evitar tais riscos, os médicos aconselham a fazer exercícios moderados e freqüentes.





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Exercício Físico e Câncer de Prostáta

Prof. Wagner Silva Dantas

Texto abordando a eficácia clínica que a prescrição do exercício físico pode trazer aos homens acometidos pelo câncer de prostáta 

Emanuel Couto Furtado (Médico especialista em Medicina do Exercício e do Esporte; mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física da Universidade Gama Filho (PPGEF/UGF)

O câncer de próstata é a neoplasia do homem de terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo acometem indivíduos acima dos 65 anos. Uma das possibilidades para o aumento da incidência - 141% entre 1979 e 2000 - é um rastreio mais eficiente pelo uso cada vez mais freqüente da medida do antígeno prostático específico (PSA). Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCa)(1), essa neoplasia é a sexta causa mais freqüente de novos casos em todo o mundo e a terceira entre as neoplasias que acometem os homens. No Brasil, em 2003, representou a segunda maior taxa de mortalidade, ultrapassada apenas pelo câncer de pulmão, que persiste como a principal causa de mortalidade por neoplasia. Apesar dos números, a mortalidade por esse tipo de câncer pode ser considerada relativamente baixa, especialmente quando o diagnóstico é precoce, o que mostra, em parte, seu bom prognóstico, com sobrevida média mundial em cinco anos estimada em 58%. Segundo algumas pesquisas, dieta rica em gordura animal, carne vermelha e obesidade representam fatores de risco para a mortalidade por câncer de próstata.

Hoje em dia há o consenso de que o exercício físico regular deve ser uma das ferramentas na prevenção primária e secundária de uma série de doenças, estando bem estabelecido seu papel no tratamento das doenças cardiovasculares. No entanto um estudo clássico publicado por Myers et al.(2) demonstrou que com uma melhora na condição aeróbica do indivíduo da ordem de 1 MET (sigla para equivalente metabólico, representa o gasto energético na posição de repouso em função do peso corporal) é possível diminuir em cerca de 12% a mortalidade em cinco anos por todas as causas. Nesse contexto, acredita-se que o exercício físico regular tenha papel relevante tanto na prevenção como no tratamento de alguns tipos de câncer. Em alguns casos isso já está bem estabelecido, como no câncer de mama, no qual estudos epidemiológicos observaram, repetidamente, redução no risco relacionado com níveis aumentados de atividade física(3). Enquanto diversas pesquisas foram realizadas na tentativa de conhecer os principais fatores de risco para o câncer de próstata, e, além disso, determinar quais deles são modificáveis, apenas há pouco tempo o papel do exercício físico regular foi estudado. Dados recentes contribuem para sugerir que o exercício físico age de modo protetor, reduzindo o risco de aparecimento do câncer de próstata. Por exemplo, pesquisadores da Universidade de Stanford, nos EUA, listaram em documento recente(4) os mecanismos pelos quais o exercício físico afetaria o aparecimento do câncer de próstata:

  • alterações hormonais: como o câncer de próstata é hormônio-sensível e os androgênios estariam envolvidos como fatores de crescimento para a doença, uma forma de combatê-la seria bloqueando ou inibindo a atuação desses hormônios. Nesse caso o papel do exercício físico seria atuar reduzindo os níveis de testosterona;
  • fortalecimento do sistema imunológico: estudos mostraram que pode ocorrer melhora no sistema imunológico mediada pelo exercício físico, com aumento do número e da capacidade das chamadas natural killer cells, mudanças adicionais em macrófagos e citocinas;
  • prevenção da obesidade: tem sido proposto que um aumento na gordura corporal pode contribuir para maior risco de câncer de próstata pelo fato de a gordura servir como depósito para potenciais carcinógenos, além de diminuir os níveis de proteínas séricas que se ligam à testosterona, reduzindo os seus níveis circulantes. A função do exercício seria atuar indiretamente, combatendo a obesidade;
  • geração de espécies reativas de oxigênio (EROs): o exercício agudo pode promover o aparecimento de radicais livres, porém o exercício físico regular induz a produção de enzimas que protegem contra o estresse oxidativo, como, por exemplo, a superóxido dismutase.

 Além da importância que vem sendo reconhecida na prevenção do aparecimento e no combate aos fatores de risco para desenvolvimento do câncer de próstata, o exercício físico atua também melhorando a qualidade de vida dos portadores da doença e combatendo alguns efeitos colaterais do tratamento. Monga et al.(5) demonstraram que o exercício melhorou a qualidade de vida e diminuiu a fadiga de pacientes portadores de câncer de próstata que estavam sendo tratados com radioterapia. Segundo a pesquisa, o grupo submetido ao programa de exercícios apresentou, além da prevenção à fadiga, melhora na flexibilidade, na condição aeróbica, na força muscular e na qualidade de vida como um todo.

Além disso, outros pesquisadores já haviam demonstrado que o exercício físico previne a perda mineral óssea causada por efeito do tratamento com deprivação hormonal androgênica(6). No sentido de estabelecer a função e a prescrição mais apropriada da atividade física, definitivamente, no combate e no tratamento do câncer de próstata, pesquisas estão sendo realizadas com desenhos mais controlados, no sentido de refinar os modelos biológicos já existentes e, assim, incluir a redução do câncer de próstata na já enorme lista dos benefícios do exercício físico.

Bibliografia recomendada 

1. INCA - Instituto Nacional de Câncer. Disponível em:<http://www.inca.gov.br/estimativa/2008/index. asp link=conteudo_view.asp&ID=5>. Acesso em: jul 2008.

 2. Myers J, Prakash M, Froelicher V, Partington S, Atwood E. Exercise capacity and mortality among men referred for exercise testing. N Engl J Med 2002; 346(11): 793-801.

 3. Gammon MD, John EM, Britton JA. Recreational and occupational physical activities and risk of breast cancer. Journal of the National Cancer Institute 1998; 90(2): 100-16.

 4. Torti DC, Matheson GO. Exercise and prostate cancer. Sports Medicine 2004; 34(6): 363-9. 

5. Monga U, Garber SL, Thornby, et al. Exercise prevents fatigue and improves quality of life in prostate cancer patients undergoing radiotherapy. Arch Phys Med Rehabil 2007; 88: 1416-22.

 6. Segal R, Reid R, Courneya K, et al. Resistance exercise in men receiving androgen deprivation therapy for prostate cancer. J Clin Oncol 2003; 21(9): 1653-9.





Angioplastia Coronariana e Exercício Físico

stent21Prof. Wagner Silva Dantas

Neste artigo, o Prof. Dr. Luiz Antonio Machado Cesar (professor associado de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Vice-Presidente da SOCESP) comenta as repercussões do artigo científico publicado na revista Circulation comparando o efeito do treinamento físico e a angioplastia coronária em pacientes estáveis com doença coronariana. Segue em anexo o arquivo (em pdf) do artigo citado para os interessados.

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ANGIOPLASTIA E EXERCÍCIO FÍSICO

Revista SOCESP - Ano IV - número - set/out - 2009

 

     Há muito se discute sobre a melhor maneira de se abordar pacientes com doença coronariana e que tenha obstruções de grau importante em uma ou mais artérias. De uma maneira geral, é intuitivo queremos sobrepujar uma obstrução de uma artéria, seja com a tradicional cirurgia de ponte de safena ou mamária, seja com uma angioplastia e colocação de stent. Este tipo de raciocínio foi o que predominou por muitos anos, e pelo qual compartilha ainda muitos cardiologistas, que assim aprenderam durante sua formação.

     Todavia, a doença coronária aterosclerótica tem nuances no seu comportamento evolutivo  que tornam, muitas vezes difícil prever seu desenvolvimento. Um stent colocado pode não impedir a ruptura e a oclusão da artéria, a partir de uma placa logo após o stent inserido ou mesmo em outra artéria.

     Existem várias comparações entre a cirurgia e a angioplastia, mas também com o tratamento clínico, caso do estudo MASS, desenvolvido no Incor. Esta pesquisa, mais o estudo COURAGE, trouxeram informações importantes para se definir uma estratégia inicial de tratamento para pacientes com angina do peito e ou com isquemia.

      Como mensagem geral vale dizer:

  • 1- A presença de uma obstrução por si só, não é suficiente para se indicar um procedimento.
  • 2- Presença e intensidade da isquemia predizem eventos.
  • 3- Exceto lesão do tronco da coronária esquerda e multiarteriais com lesões proximais todas muito graves, ou com sintomas de difícil controle com medicação, indicar um procedimento sem prova funcional com isquemia de monta é, ao menos, duvidoso.

     E foi a esse respeito que estudo recente novamente chama a atenção para esses aspectos, o da indicação excessiva de procedimentos.

     No Congresso Europeu de Cardiologia em setembro, em Barcelona, foram apresentados os resultados tardios de uma pesquisa alemã, previamente publicada em 2004 no Circulation, que demonstrou que praticar exercícios pode ser melhor do que fazer angioplastia, para alguns pacientes. Os pesquisadores da Universidade de Leipzig, na Alemanha, vêm avaliando o efeito stent comparado à atividade física em pacientes idosos com doença coronariana estável. Somando os dois momentos, os autores acompanharam durantes dois anos 202 homens com mais de 70 anos e angina. Metade passou pela angioplastia e os demais fizeram um programa de atividade física que incluía 20 minutos diários de exercícios na bicicleta ergométrica e uma participação semanal  em um treino de uma hora de exercício supervisionado. Todos os voluntários tomavam medicamentos para controlar a doença.

     Ocorreram 21 eventos cardiovasculares no grupo exercício, e 32 no da angioplastia.

     Além disso, observaram que “…no estudo, a evolução dos pacientes que se exercitaram foi superior…”, como comentou o professor de Educação Física Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, em São Paulo.

     E, de fato, até os hemodinamicistas concordam, como ponderou o colega Pedro Lemos, do Serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, também do Incor “…mas os critérios de exclusão do estudo mostram que talvez muitos dos pacientes acompanhados não precisassem mesmo passar pela angioplastia…”.

     O fato é que, mesmo desnecessária, continua sendo indicada. Vale ressaltar que não se trata de questionar os benefícios da angioplastia, mas o estudo reforça a idéia de que os exercícios não devem ser encarados como coadjuvantes, e sim como parte do tratamento para esses pacientes.

     E, além de todas essas demonstrações, importante é ressaltar que os procedimentos significam custos para o sistema de saúde como um todo. E também é importante ressaltar, que a par de outras revisões realizadas, recente revisão feita da Cochrane constatou que os exercícios conseguem reduzir a mortalidade por doenças cardíacas em 31%.

     Claro que podemos ponderar este estudo apresentado em Barcelona tem limitações, como o pequeno número de pacientes. Só devemos estar a par dos estudos e mostrar aos pacientes que essa é uma opção dentre os vários tratamentos, e que é, sim, eficaz, tanto para os sintomas quanto para reduzir os riscos de morte.





Papel da atividade física no combate à obesidade

Texto escrito para o boletim do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio Libanês

Por Wagner Silva Dantas

A transmissão familiar da obesidade é bastante conhecida. No entanto, membros de uma mesma família estão expostos a hábitos culturais e dietéticos que influenciam individualmente no ganho de peso. Isto evidencia que, além da herança genética, o fator ambiental desempenha um papel importante no desenvolvimento
da obesidade. Desse modo, orientações clínicas interdisciplinares, incluindo o exercício físico individualizado, tornam-se uma importante estratégia para o tratamento, controle e acompanhamento de problemas que normalmente decorrem da doença. Um estilo de vida sedentário promove o acúmulo de gordura corporal. A atividade física, em contrapartida, resulta em peso e composição corporal saudáveis em virtude de um aumento no gasto diário total de energia, por causa do custo calórico direto da sessão de atividade física e da elevação do dispêndio energético após esse período de atividade. Ao término de uma sessão de exercícios, o consumo de oxigênio e, portanto, a taxa metabólica, se mantêm elevados, acima do nível de repouso, o que é chamado de consumo de oxigênio pós-exercício excessivo. Do ponto de vista prático, a intensidade e a duração de uma única sessão de atividade física poderiam produzir um aumento na taxa metabólica pós-exercício de aproximadamente 10 a 50 kcal, acelerando a redução do peso corporal. O tipo de atividade física envolvida produz determinados benefícios nos diversos componentes metabólicos do paciente
obeso:

 

  • Os exercícios aeróbios (por exemplo, a caminhada) aumentam o transporte de oxigênio para os músculos exercitados que, por sua vez, promovem maior utilização dos estoques de gordura como fonte energética. Isso facilitaria a redução da quantidade de massa corporal constituída de gordura, diminuindo
    assim o peso corporal.

 

  • Os exercícios aeróbios estão associados a reduções significativas na quantidade de gordura da região abdominal. Se praticados regularmente, essa redução é capaz de diminuir os valores de pressão arterial e aumentar a sensibilidade à ação da insulina no tecido adiposo, muscular e hepático dos pacientes obesos.

 

  • O aumento da capacidade cardiopulmonar reduz o risco demorbidade e mortalidade precoce por doenças cardiovasculares.

 

  • Os exercícios aeróbios melhoram o perfil lípidico a partir de mudanças na atividade de uma enzima conhecida como lipase lipoproteica, responsável por reduzir a molécula de gordura em partes menores para a produção de energia no sistema músculo-esquelético.

 

  • Embora quando aplicado de forma isolada possa apresentar uma modesta contribuição na redução da gordura corporal, o exercício resistido (como a musculação) contribui para o aumento do gasto calórico diário, por intermédio do próprio custo energético da execução desse exercício.

 

  • Tanto o exercício aeróbio quanto o resistido aumentam o calibre dos vasos sanguíneos do músculo esquelético em pacientes obesos e, consequentemente, melhoram a distribuição do fluxo sanguíneo, diminuindo, portanto, o risco de acidentes cardiovasculares.

 
O NOTA (Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio Libanês)  conta com uma equipe multidisciplinar altamente qualificada capaz de orientar o paciente obeso também nas questões relacionadas à atividade física.





Dose Ideal de Exercício Físico para a saúde

Prof. Wagner Silva Dantas

Grande referência mundial na área da medicina do exercício, o Dr. Cláudio Gil S. Araújo comenta as dificuldades da classe médica em indicar a prática sistemática de exercícios físicos com finalidade clínica ou meramente para indivíduos que querem obter uma melhora e/ou manutenção do estado de saúde.

Dose ideal de exercício físico para a saúde

Claudio Gil S. Araújo (Diretor-médico da Clínica de Medicina do Exercício (CLINIMEX) e coordenador do Curso de Especialização em Medicina do Exercício e do Esporte (MEE) da Universidade Estácio de Sá (UNESA) no Rio de Janeiro)

E nvolvido física e mentalmente com a área de exercício e esporte há mais de 30 anos, desfrutei de oportunidades ímpares durante minha formação acadêmica e atuação profissional, de estudar, pesquisar e aplicar os conhecimentos de fisiologia e de medicina do exercício e interagir com renomados profissionais e pesquisadores. Inicialmente como aluno da graduação em medicina no Laboratório de Fisio­logia do Exercício da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LABOFISE/UFRJ); durante o internato na McMaster University, no Canadá; e depois como médico, no programa de reabilitação car­díaca do Hospital Universitário Clementino Fra­ga Filho (HUCFF/UFRJ) durante 18 anos. Desde 1994, atuando na Clínica de Medicina do Exer­cício (CLINIMEX), no âmbito privado, realizando avaliações e liderando o programa de exercício supervisionado. Ao longo dessa trajetória já atendi alguns milhares de indivíduos que busca­vam orientação para melhorar seu desempenho físico, seja no esporte competitivo seja na luta pela sobrevivência diante de uma enfermidade muitas vezes grave e debilitante. Em paralelo, pude acompanhar de perto as dificuldades dos médicos em indicar e prescrever exercício físico, não somente para os enfermos, mas principal­mente para aqueles que desejavam utilizar essa importante ferramenta - exercício físico regular - para a promoção e a manutenção da saúde. Esse texto visa oferecer, de forma concisa e prá­tica, uma orientação clínica sobre a dose mais apropriada de exercício aeróbico para a saúde. O hábito de praticar exercício físico é considera­do saudável desde a Antigüidade. Ao longo do tempo, inúmeras evidências científicas foram obtidas em relação aos benefícios do exercício aeróbico para a saúde. Durante um exercício físico, diversos mecanismos fisiológicos entram em funcionamento para manter a homeostasia, minimizando as variações de pH e das pressões parciais de O2 e de CO2 nos tecidos, dissipan­do o calor produzido e proporcionando subs­tratos energéticos para as fibras musculares(1). Os organismos mais capazes de lidar com as demandas de um exercício apresentam carac­terísticas favoráveis para a sobrevivência, fato já observado por Charles Darwin em seu livro A origem das espécies, publicado em 1909. Estu­dos epidemiológicos mais recentes de diversos países(2, 3) confirmaram que os indivíduos com maior condição aeróbica (VO2 máximo) tendem a ser mais longevos, com diferenças de até cin­co vezes na taxa de mortalidade anual, quando se comparam os 20% com menor e os 20% com maior condição aeróbica.

Todavia indivíduos de melhor condição aeróbica muito freqüentemente tendem a ser também aqueles mais fisicamente ativos. Surge então uma pergunta importante: o que é mais impor­tante para a saúde, ter boa condição aeróbica ou ser fisicamente ativo? Enquanto é verdade que o exercício regular melhora a condição aeróbica, especialmente naqueles com valores iniciais mais baixos, boa parte dessa condição é geneticamente herdada. Certamente cada um de nós conhece alguém que, mesmo sem ser fisicamente ativo, consegue bom resultado em práticas desportivas ou até em um teste de exercício. Ao rever a literatura sobre esse tema, o Dr. Paul Williams (4) concluiu que a condição aeróbica do indivíduo é mais importante do que o padrão regular de exercícios para a prevenção de morte por causas cardiovasculares.

Portanto, sabendo que a condição aeróbica é mais importante e que se o indivíduo não a possui geneticamente alta, a melhor opção é ser fisicamente ativo exatamente para melhorá-la; a próxima questão relevante é analisar a melhor combinação de freqüência, duração e intensida­de do exercício aeróbico. Provavelmente, os es­tudos conduzidos pelo Dr. Ralph Paffenbarger et al. nos ex-alunos da Harvard University(5, 6) foram os que mais objetivamente identificaram, entre os três itens, a intensidade como a variável mais importante.

O fato representa um certo retorno à conduta dos anos 1980, quando a intensidade era bas­tante valorizada, pois alguns documentos ins­titucionais dos últimos anos preconizavam que exercícios moderados já trariam benefícios im­portantes. Isso foi mais recentemente confirma­do por dados escandinavos(7, 8), com um segui­mento de 12 anos em mais de 7 mil indivíduos de ambos os sexos, indicando que a duração da sessão aeróbica não parecia ser crítica(7) e de­monstrando que apenas uma única sessão de exercício intenso semanal já induzia considerá­vel dose de proteção(8).

Especialmente para aquele que possui baixa condição aeróbica, o exercício físico aeró­bico precisa ser regular e de alta intensidade, ou seja, suplantar, eventualmente e por alguns mi­nutos, o limiar anaeróbico (no desconhecimento desse, exceder 70% do VO2 máximo ou atribuir nota de sensação de esforço superior a 7 em uma escala de 0 a 10). Uma técnica empírica e simples para avaliar se a intensidade do exercício é apenas leve ou moderada, e não vigorosa ou alta, é constatar se o indivíduo consegue manter uma conversação ou contar em voz baixa de um a sete sem precisar interromper para respirar ou sem apresentar grande dificuldade para fazê-lo.

Muito embora pareça claro que se tornar fisi­camente ativo, como, por exemplo, caminhar 30 minutos na maioria dos dias, já proporcio­na alguns benefícios fisiológicos e clínicos, o médico deve procurar oferecer e orientar uma dose ótima de exercício físico. Assim sendo, ca­ca­minhadas de 30 minutos na maioria dos dias representam, muito provavelmente, dose insu­ficiente para a promoção da saúde em homem ou mulher de meia-idade. Para alcançar uma intensidade ótima, muitas vezes será necessário correr, pedalar, nadar ou participar de ativida­des desportivas.

Finalizando, à luz das evidências parece claro que o médico deve recomendar e prescrever o exercício físico aeróbico para a promoção e a manutenção da saúde e que uma intensidade alta (ainda que eventual) parece ser mais impor­tante do que a duração da sessão e a freqüência semanal, especialmente naqueles que possuem condição aeróbica baixa por base genética des­favorável e/ou por sedentarismo.

Referências bibliográficas

1. Araújo CGS. Fisiologia do exercício físico e hipertensão arterial: uma breve introdução. Hipertensão 2001; 4(3): 78-83.

2. Laukkanen JA, Lakka TA, Rauramaa R, et al. Cardiovascular fitness as a predictor of mortality in men. Arch Intern Med 2001; 161(6): 825-31.

3. Myers J, Prakash M, Froelicher V, et al. Exercise capacity and mortality among men referred for exercise testing. N Engl J Med 2002; 346(11): 793-801.

4. Williams PT. Physical fitness and activity as separate heart disease risk factors: a meta-analysis. Med Sci Sports Exerc 2001; 33(5): 754-61.

5. Lee IM, Sesso HD, Oguma Y, Paffenbarger Jr. RS. Relative intensity of physical activity and risk of coronary heart disease. Circulation 2003; 107(8): 1110-6.

6. Paffenbarger Jr. RS, Lee IM. Physical activity and fitness for health and longevity. Res Q Exerc Sport 1996; 67(3 Suppl): S11-28.

7. Schnohr P, Scharling H, Jensen JS. Intensity versus duration of walking, impact on mortality: the Copenhagen City Heart Study. Eur J Cardiovasc Prev Rehabil 2007; 14(1): 72-8.

8. Wisloff U, Nilsen TI, Droyvold WB, Morkved S, et al. A single weekly bout of exercise may reduce cardiovascular mortality: how little pain for cardiac gain? “The HUNT study, Norway”. Eur J Cardiovasc Prev Rehabil 2006; 13(5): 798-804.