Por Prof. Wagner S. Dantas
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica apontam que o Brasil possui mais de um milhão de obesos mórbidos, número que duplicou na última década. Pacientes obesos mórbidos são aqueles cujo Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 40. Aumentou também a indicação da cirurgia bariatrica que agora é oferecida pelos convênios médicos.
Todas as cirurgias oferecem risco e não impedem totalmente que o paciente volte a engordar. Alguns chegam a readquirir cerca de 30kg após um ano. A recaída destes pacientes, no Brasil representa 15% dos operados. O paciente operado leva até dois anos para estabilizar seu peso. No primeiro ano os efeitos mais imediatos aparecem, já que a perda de peso pode chegar a perda de 75kg. A partir daí, por problemas emocionais, o paciente volta ao pesadelo de engordar.
O controle no pós-operatório, com uma equipe multidisciplinar formada por cirurgiões, endocrinologistas, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos pode assegurar a eficácia da cirurgia e o controle no ganho de peso. A partir daí, o paciente já pode realizar as cirurgias plásticas, que completam a parte estética do processo.
F.B.Romero e colaboradores endocrinologistas do Hospital Universitário de Albacete, Espanha, estudam a influência dos transtornos psiquiátricos prévios sobre a evolução pós-operatória em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica que podem influenciar a retornada do peso posterior.
Transtornos psiquiátricos não contra-indicam a cirurgia mas podem persistir e influenciar na perda de peso e evolução clínica no pós-operatório, dificultando o sucesso do procedimento. Esse estudo fez análise retrospectiva de 109 pacientes submetidos à cirurgia bariátrica com derivação duodenal Foram comparados pacientes com e sem sintomas psiquiátricos antes da cirurgia e foram estudadas as mudanças de peso, complicações imediatas da cirurgia e de seguimento das deficiências nutricionais no pós-cirúrgico em pacientes com transtornos psiquiátricos prévios (grupo 1, 17 pessoas ) em comparação com pacientes sem transtornos psiquiátricos (grupo 2, 92 pessoas ). Os pacientes do grupo 1 mostraram uma maior tendência para ganho de peso. Eles recuperaram 9,4% do peso do excesso perdido entre 18 meses e 36 meses após a cirurgia, enquanto os pacientes do grupo 2 recuperaram apenas 0,2% no mesmo período (p <0,05). Não houve diferença de complicações cirúrgicas imediatas (5 / 17 vs 25/92 pacientes). A incidência média de complicações cirúrgicas foi de 0,71 por paciente no grupo 1 e 0,22 complicações por paciente no grupo 2 (p = 0,02). Em 52,9% dos pacientes do grupo 1 tiveram pelo menos uma complicação tardia, em comparação com 19,6% dos pacientes no grupo 2 (p = 0,003). As três complicações mais comuns em pacientes com transtornos psiquiátricos prévios foram diarréia crônica, vômitos e desnutrição. A presença de deficiências nutricionais foi comum em ambos os grupos, principalmente alterações de vitaminas hidrossolúveis, ferro e zinco. Durante o acompanhamento pós-operatório, houve uma media 3,1 + / - 1,6 deficiências nutricionais por paciente no grupo 1 e 2,5 + / - 1,7 no grupo 2 (p = 0,04). Mais de três deficiências nutricionais foram encontradas em 8 pacientes no grupo 1 (52,9%) em comparação com 23 pacientes no grupo 2 (25%) (p = 0,03). Os autores concluem que a presença de transtornos psiquiátricos prévios pode ser um preditor de um resultado menos positivo em pacientes obesos mórbidos que se submetem à cirurgia bariátrica
Fonte :: Endocrinol Nutr. 2010 Jan; 57 (1) :9-15.

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Muito bom o seu artigo. Gostaria de conhecer o seu trabalho para trocarmos informações relevantes no contexto publicado.
Fernan,
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Forte abraço
Wagner S Dantas
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