Em matéria para o jornal Folha de São Paulo, um dos maiores especialistas em cefaléia do Brasil, prof. Dr. Mario Fernando Pietro Peres do Hospital Israelita Albert Einstein e da Faculdade de Medicina do ABC, fala sobre a importância da mudança do estilo de vida no tratamento das cefaléias e o efeito direto na redução do risco de infarto do miocárdio nos pacientes que sofrer de enxaqueca crônica.
Enxaqueca crônica faz dobrar risco de infarto, diz estudo
Pesquisa mostra que esses pacientes têm também mais chance de derrame e de outros problemas, como diabetes
Conclusões do estudo valem para enxaqueca com e sem aura (alterações visuais); trabalho comparou dados de mais de 10 mil pessoas
GABRIELA CUPANI
DA REPORTAGEM LOCAL
Pessoas que sofrem de enxaqueca têm o dobro do risco de sofrer um infarto, revela um estudo da Yeshiva University, nos Estados Unidos, que acaba de ser publicado na “Neurology”.
Segundo o artigo, esses pacientes também têm mais chance de sofrer derrames e de desenvolver outros fatores de risco cardiovascular. O achado vale para a enxaqueca com e sem aura (alterações visuais). Estudos anteriores já haviam relacionado a aura ao aumento do risco de derrames.
De acordo com os autores, o trabalho sugere que a enxaqueca não é uma condição isolada e que, ao tratar um paciente, os outros fatores de risco devem ser levados em conta.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores compararam dados de 6.102 pacientes com enxaqueca crônica e de 5.243 pessoas que não sofriam da doença. Todos os participantes completaram questionários sobre saúde em geral, frequência, severidade e sintomas das dores de cabeça e dados sobre eventos cardiovasculares.
As pessoas que sofriam de enxaqueca tinham duas vezes mais chance de infarto -os portadores do tipo com aura tinham três vezes mais chance.
Aqueles que sofriam com a dor de cabeça crônica também tinham 50% mais risco de ter diabetes, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
Segundo os autores, haveria um mecanismo comum associando a dor de cabeça e o infarto. Eles especulam que essas pessoas têm lesões no endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), que aumentariam o risco cardiovascular.
“Os motivos para o aumento do risco ainda não estão esclarecidos”, ressalva o neurologista Deusvenir de Souza Carvalho, da Universidade Federal de São Paulo. Mas sabe-se que na enxaqueca há alterações neuroquímicas e vasculares e que as plaquetas do sangue se comportam de forma diferente nas crises, o que poderia prejudicar o fluxo sanguíneo.
Por isso, os especialistas acreditam que o bom controle das crises de enxaqueca pode reduzir o risco cardiovascular.
“Quem tem enxaqueca muitas vezes tem outros fatores de risco associados, como estresse, má qualidade de sono e fatores hormonais”, acrescenta o neurologista Mario Peres, do hospital Albert Einstein.
Hoje há vários medicamentos usados para prevenir as crises e boas opções para aliviar a dor. Mas o controle da doença envolve mudanças nos hábitos de vida, que incluem boa qualidade de sono e alimentação, evitar gatilhos e controlar o estresse. “Entre 70% e 80% dos pacientes conseguem controlar a doença com remédios e estilo de vida”, diz Carvalho.


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